Do Brasil para o mundo: ex-aluno da Aliança mostra como o aprendizado de idiomas amplifica habilidades e cria oportunidades

Por Paula Cabral Gomes


Podemos definir Robson Magario Hayashida, 42 anos, engenheiro de computação, como um cidadão do mundo, pois chamá-lo apenas de brasileiro seria muito pouco. Não é fácil saber onde ele está no momento, afinal de contas, Hayashida conhece mais de 30 países e já morou em cinco países diferentes.

Para comprovar esse fato, o primeiro contato foi feito quando Robson estava no Brasil. A primeira tentativa de responder as perguntas ocorreu na França. E ele acabou gravando um vídeo com as respostas dessa entrevista em Hong Kong e mandou para nós (e você pode conferir aqui: https://youtu.be/aXmdEuSj2Ws).

Descendente de japoneses, a ligação de Robson com a cultura de seus ascendentes começou antes que ele tivesse consciência. Quando criança, frequentou uma escolinha de língua japonesa no Butantã, e depois tornou-se aluno da Aliança Cultural Brasil-Japão, estudando nas três unidades (Pinheiros, São Joaquim e Vergueiro).

Como hábil estudante de vários idiomas, o ex-aluno nos deu dicas preciosas sobre o estudo da língua japonesa e incentiva aqueles que já começaram a estudar a nunca desistirem, mesmo que o desânimo apareça. Saiba mais detalhes sobre a trajetória de Hayashida na entrevista abaixo e inspire-se com essa incrível história de vida!

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Quando começou a estudar japonês?

Eu comecei a estudar japonês desde pequeno, aos 6 anos, em uma escola de língua japonesa (nihongakkou) no Jardim Bonfiglioli, no Butantã, administrada por um casal de japoneses. Eu estudei lá por um tempo, mas, infelizmente, o casal veio a falecer e eu fiquei sem lugar para estudar. Foi aí que eu encontrei a Aliança Cultural Brasil-Japão, entrei na escola e iniciei meus estudos. Se não me falha a memória, isso foi em 1991. Comecei a estudar na antiga unidade Pinheiros.

O que achou mais fácil e mais difícil de aprender quando iniciou os estudos?

Como eu comecei muito pequeno, não me lembro bem do que era difícil. Me recordo que era difícil entender quando usamos um kanji ou outro. Por exemplo, tem uma palavra que se chama ikimasu (行きます), que significa ir. Então quando eu aprendi o kanji que representa o “i” de iku, comecei a usá-lo para várias outras palavras, porque, quando eu era pequeno, eu não sabia que cada kanji tinha um significado, uma ideia diferente. Então essa é uma das dificuldades que eu tive, mas considero bem mais fácil do que se tivesse começado quando adulto. Por isso recomendo começar a estudar japonês desde a infância.

Quando e quais cursos fez nas unidades da Aliança?

Eu comecei na Aliança Pinheiros e lá fiz o Básico 1, comprei os livros do Básico 2 e 3, estudei durante as férias e fiz uma prova. No semestre seguinte, comecei no Básico 4 e permaneci até o 6, e lembro que depois não tinha mais a turma na Aliança Pinheiros, então tive que mudar para a unidade São Joaquim. Fiz o Intermediário, mas, em uma época, por questão de horário e agenda, ficou melhor estudar na Vergueiro. Fiquei lá por pouco tempo e depois voltei para a São Joaquim. Se não me falha a memória, acho que fiz até o final do Intermediário, em 1996 e tive que me mudar para o Japão. Acabei não fazendo o Avançado. Foi muito bom estudar na Aliança. Aprendi bastante.

Quando, como e por que começou seu interesse pela cultura japonesa?

Meu interesse pela cultura japonesa começou desde muito pequeno, até pelo fato de eu ser descendente, eu sempre tive contato com a cultura japonesa. Então, para falar a verdade, eu nem me lembro quando começou o interesse. Deve ser desde bebê. Eu sempre tive contato com a cultura.

Qual a importância do aprendizado e do compartilhamento da cultura japonesa no Brasil?

Temos no Brasil a maior comunidade japonesa do mundo, fora do Japão. É muito importante mesmo aprender japonês, principalmente por esse fator histórico entre os dois países, que tem muita proximidade, apesar de geograficamente estarmos muito separados, só que cultural e historicamente estamos juntos.

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Durante seu período no Brasil, Robson foi voluntário nos eventos da Aliança, como na palestra de bolsas da JICA

Quantas viagens já fez ao Japão? Quanto tempo cada uma delas durou e o que fez em cada uma das viagens?

Foram muitas, mais de 40 vezes, talvez até mais. Na primeira vez em que eu fui para o Japão, em 1996, morei lá por 12 anos. Foram 3 anos na província de Toyama e o restante em Tóquio, mais precisamente no bairro de Minato-ku, na região de Roppongi, que é um dos bairros mais famosos do Japão. Depois disso, eu me mudei para a Inglaterra. Depois voltei para o Japão e me mudei para Hong Kong.

Durante os 12 anos em que fiquei no Japão, aprendi muito, não apenas o idioma como também a cultura japonesa. Eu fui para estudar com uma bolsa do colegial técnico pelo Monbukagakusho, que é o Ministério da Educação lá no Japão e fiquei muitos anos estudando. Depois de formado, comecei a trabalhar na NEC, empresa que fabrica eletrônicos, e depois em um banco de investimentos, o Morgan Stanley, um dos maiores do mundo.

Logo depois, recebi uma proposta para trabalhar com pesquisa em células tronco e anticorpos, em um dos laboratórios da Universidade de Cambridge, e me mudei para a Inglaterra. Depois de certo tempo, fui transferido para trabalhar no Japão. Depois que me mudei para Hong Kong, já voltei para o Japão mais de 40 vezes. Principalmente por causa do trabalho e proximidade. Hoje faço muitos negócios entre Hong Kong e Japão, e Hong Kong e Brasil, principalmente na área de importação e exportação.

O que mais impressionou na primeira vez que foi ao Japão?

Se for para resumir em uma palavra, eu acho que seria infraestrutura. Porque no Japão é tudo sistematizado, tudo direitinho, tudo limpo. As ruas são muito limpas. Impressionantemente limpas! Na vida, eu já visitei mais de 30 países, mas nunca vi lugar tão limpo e tão bem cuidado como o Japão. Cingapura talvez. Mas o Japão é mais limpo ainda. Eles já têm um modo de fazer, e tudo funciona de acordo com esse sistema. Os trens não têm atrasos, o metrô também não. Tudo funciona idealmente, como deveria funcionar. Então a primeira coisa que eu percebi foi isso. Falei: “Nossa! É tudo tão bem organizado. Parece um conto de fadas, um sonho”. Mas no Japão é realidade!

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Em quais países já viveu? O que fez em cada um deles?

Já vivi no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão, na Inglaterra e agora em Hong Kong. Na maioria dos países em que eu estive, na verdade, foi por trabalho. Só no Japão mesmo que eu estive por estudo, mas acabei trabalhando lá também. Por viagem, eu já visitei tantos países que nem consigo especificar, mas estive em todos os continentes, com exceção da Antártida.

Qual a influência do idioma japonês e da cultura japonesa em sua vida?

É muito grande e somente me ajudou. Essa também é uma dica que eu dou para vocês, se quiserem aprender um novo idioma, vão em frente, mesmo que não seja japonês. O fato de você conhecer um idioma a mais raramente vai fazer mal. Em 99% dos casos, sempre vai fazer bem na sua vida.

A gente tem uma língua maravilhosa que é o idioma português, que herdamos dos portugueses, é claro. Só que, além disso, vale muito a pena conhecer outro idioma. O seu universo, a sua mentalidade, até mesmo as oportunidades na sua vida vão se expandir muito.

Se você conhece português, você também consegue ir para Portugal, Angola, Moçambique, Macau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Bissau. Têm vários países para visitar. Só que se você sabe outro idioma, vai poder se comunicar com muito mais gente.

A cultura e a língua japonesa fazem parte totalmente da minha vida. Até mesmo aqui em Hong Kong, eu tenho oportunidades diárias para usar o japonês, porque muitas empresas de Hong Kong e da China fazem negócios com empresas do Japão, e vice-versa. Mesmo morando fora do Japão, vale a pena mesmo vocês estudarem japonês.

Quais dicas você daria aos estudantes de japonês?

Se você ainda não começou a estudar japonês, comece. Se ainda não começou, comece hoje mesmo. Procure a Aliança Cultural Brasil-Japão. Se não tiver Aliança onde você mora, procure outra escola. Mas procure e comece a estudar.

Para quem já está estudando japonês e sente dificuldade, procure focar os kanjis, porque isso vai te ajudar a aprender outras palavras que você nem imaginaria que poderia saber. Somente estudando os kanjis. Tem vários exemplos que você pode aprender na sua vida.

Por exemplo, kuruma (車) é carro, e também conseguimos ler como “sha”, que seria a leitura chinesa. Então, uma vez você sabendo o kuruma, você pode memorizar várias palavras derivadas desse kanji. Por exemplo, shako (車庫), que é garagem, e tyuushajou(駐車場), que é estacionamento. E shaken (車検), que é aquela revisão anual do carro. Todas essas palavras são derivadas do mesmo kanji.

Outra dica que eu dou para quem já começou a estudar japonês é prestar o Exame de Proficiência (Noryoku Shiken), muito importante para controlar como está o seu nível e medir o quanto você progrediu no ano, avaliando a si mesmo.

A terceira dica (e talvez a mais importante), nunca desista! Pode ser que em vários momentos da sua vida, você pense “Ah, não! Japonês é muito difícil! Tem muito keigo (linguagem formal)! Muita forma polida, forma não-polida. E kanji é muito difícil e vou desistir!”. Não! Nunca desista, porque conforme você vai progredindo, verá que não é tão difícil assim.

Na verdade, existem línguas muito mais difíceis que o japonês. Eu sei por que eu estudo mandarim, cantonês. Tem o árabe também, que eu já cheguei a estudar. Se você pensar, o japonês não é uma língua difícil. Não tem artigo, não tem tempo verbal do futuro, não tem plural. Sempre pense positivo, que você vai chegar lá!

Então a principal dica é: “sempre continuar estudando!”, mesmo que você tenha a sua agenda super lotada, e só possa fazer aula de japonês uma vez por semana. Faça, não desista e continue! Uma vez que você cria esse hábito de estudar, não somente japonês, mas qualquer outra matéria, se você cria esse hábito de diariamente tocar um livro, uma vez que você cria esse hábito, o negócio engrena. Sempre pense dessa forma! Um dia você chega lá! Eu cheguei, então você também pode!

Queria mandar um grande abraço para o pessoal da Aliança Cultural Brasil-Japão. Abraço para todos vocês, inclusive um grande abraço para a Erika Yamauti, que me deu essa oportunidade. E também um grande abraço para a Paula Cabral Gomes.

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