A arte do Kirigami no Japão e no mundo
Transformar o papel nas mais variadas formas tridimensionais e despertar uma surpresa, uma emoção, é a grande magia do kirigami tridimensional. O kirigami é uma arte em papel produzida através de recortes. Em japonês, “kiru” significa “cortar” e “kami” significa “papel”. Antigamente era comum utilizar enfeites de papel com recortes e dobras na confecção de objetos utilizados em cerimônias xintoístas, com uma mistura das técnicas de origami e kirigami. No decorrer dos tempos, os recortes do kirigami foram ressaltados com as dobras do origami, originando uma nova apresentação artística que pode ser interpretada como um “kirigami tridimensional”, porque ocorre a transformação do papel da forma bidimensional para o tridimensional. As dobras ressaltam os recortes, e assim as figuras parecem “saltar do papel”. Essa arte pode receber várias denominações: Origami Arquitetônico, Kirigami, Pop-up, 3D e Arquitetura em Papel; de acordo com o autor das obras. Nos EUA e Europa, a técnica é mais conhecida como “Pop-up” pelo fato da figura saltar, muito utilizada nos livros infantis e cartões comemorativos. Já o termo “Origami Arquitetônico” é recente e foi designado pelo arquiteto japonês Masahiro Chatani em 1981 para seus trabalhos, quando aliou à esta arte seu conhecimento de arquitetura, transformando papéis em verdadeiras obras arquitetônicas, como se fossem maquetes instantâneas. Num final de ano, Chatani resolveu confeccionar seus próprios cartões de ano novo e ficou surpreso com o retorno inesperado de admiração pelo seu trabalho. Desde então passou a se dedicar a esta arte, publicando inúmeros livros e inspirando pessoas do mundo inteiro a se apaixonarem pelo kirigami e tornarem seus seguidores. Aplicando conhecimento técnico, noções d e p r o p o r ç ã o e g e o m e t r i a , desenvolvemos o raciocínio lógico para a elaboração dos projetos (moldes); no entanto, Masahiro Chatani, unindo-se ao estilo de sua assistente Keiko Nakazawa, bailarina, desenvolveu inúmeros projetos com formas delicadas e originais, ampliando cada vez mais a infinidade de possibilidades da transformação do papel. Uma curiosidade No Brasil os pioneiros do kirigami de que temos notícia são o poeta Augusto de Campos e o artista plástico Júlio Plaza, que publicaram em 1974 o livro de poemasobjetos “Poemóbiles”. Nesta obra, a poesia encontra as formas dinâmicas e suaves do papel recortado, e o leitor é convidado a cada instante, ao manipular as páginas, a surpreender-se com as figuras tridimensionais que formam os poemas. Cada movimento propicia diferentes leituras do texto entre recortes, as cores e as palavras. É curioso descobrir que este livro foi publicado no Brasil muito antes dos trabalhos do professor Chatani no Japão, no entanto, existe grande semelhança no seu estilo. Atualmente, o kirigami é conhecido pelos tradicionais cartões de natal e livros 3D, e tem sido amplamente aplicado em convites de casamento, peças decorativas, material promocional, e até mesmo em quadros, conservando a complexidade dos recortes como verdadeira obra de arte.
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